Vamos inovar os métodos de ensino para despertar o interesse nos alunos

Professores novatos e os de longa estrada encontrarão preciosas dicas de ensino para melhorar a qualidade das aulas e a participação dos alunos, transformando-os em questionadores e formadores de opinião.

O objetivo é trocar experiências, conteúdos, críticas e sugestões, de modo que os profissionais de ensino fiquem por dentro de como se inicia uma aula incentivadora, sem dar espaço a métodos ultrapassados

"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você!" (Paulo Freire)

Como iniciar a primeira aula de Física (apresentação em texto)

domingo, 5 de junho de 2011



No primeiro dia do ano letivo, o professor de Física entra na sala de aula, cumprimenta a turma com "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite", dependendo do turno, e depois inicia um assunto que foi previamente preparado. Como, então, o assunto é iniciado?

Se o professor utiliza métodos ultrapassados, sem criatividade, vai introduzir o assunto do dia com definições, conceitos, escrevendo uma pilha de fórmulas no quadro e, em seguida, pede à turma que abra a página do livro para a realização dos exercícios. No final, a maioria dos alunos resmunga que não entendeu a matéria. Pronto! A dificuldade se acumula e o desinteresse se estabelece. Nas outras disciplinas acontece a mesma situação.

Por outro lado, se o professor aplica métodos inovados, causando impactos de caráter benéfico, a turma consegue entender o objetivo da aula. Para isso, eis o recurso que funciona: a motivação.

Como, então, chamar a atenção da turma no primeiro dia de aula de Física?

Realize um bate-papo como introdução. Diga à turma que, sem a Física, invenções engenhosas como TV, celular, computador, automóvel, e até os mais simples atos - levar comida à boca ou escrever - todos seriam impossíveis de fazer parte da nossa vida. Nem a medicina existiria. Portanto, convença os alunos que a Física contribuiu para o ingresso da internet no lar, por exemplo.

Em tudo entra a Física. Toda a vida social depende de uma tecnologia que nasce da ciência. A tecnologia é a aplicação prática do conhecimento para uso humano, sendo utilitária.

Descobre-se um esqueleto num local que guarda documentos de antigas civilizações. De que época será? O método do carbono radiativo permite conhecer a ocasião da morte do animal e, dessa forma, reúnem-se meios para uma datação histórica. É a Física na História.

A origem da Terra pode ser determinada quando se estuda numa rocha uranífera a relação entre o chumbo Pb-206 e o urânio U-238. É a Física na Cosmogonia. Também a origem das diversas rochas pode ser determinada por processos radiativos. É a Física na Geologia.

Luigi Galvani, em 1780, com suas experiências sobre eletricidade animal, tornou-se pioneiro do que hoje constitui a Biofísica.

Lee De Forest, quando em 1906 inventou o áudion, válvula primitiva, iniciou a Eletrônica.

Enrico Fermi, com seu primeiro reator de 1942, deu origem à Engenharia Nuclear.

Além disso, a Física está intimamente ligada à Astronáutica e à Astronomia, visto que intervém tanto na construção de naves espaciais como no estudo de tudo o que ocorre nos satélites, planetas, estrelas e sistemas estelares, nebulosas e galáxias inteiras.

Nos tempos em que a Grécia era o berço da civilização, a classificação das ciências era muito mais simples, e physikos era a filosofia natural, o estudo da natureza.

Mais tarde, o termo Física passou a corresponder a um campo restrito - aos fenômenos em que a espécie da substância dos corpos não se altera. Por exemplo, na evaporação da água que continua a ser água; ou quando uma chapa de ferro sofre deformação, mas não deixará de ser ferro.

Em contraposição, denominou-se Química, a ciência dos fenômenos em que ocorrem mudanças na espécie das substâncias. Por exemplo, na eletrólise da água que se decompõe em oxigênio e hidrogênio; ou na queima de combustíveis que resulta em gás carbônico e água.

É importante debater algumas dessas diferenças entre Física e Química para deixar a turma mais esclarecida.

O cientista não se preocupa apenas em estudar e registrar os diferentes fenômenos: procura também suas causas. Dizer, por exemplo, que a água aquecida acaba fervendo é uma afirmação exata, porém vaga e indeterminada. Este é apenas um conhecimento empírico, ou seja, fundamentado na prática, mas sem qualquer base teórica ou científica.

A Física procura saber por que a água ferve e qual a temperatura certa que a faz entrar em ebulição. E vai além: busca a razão pela qual os líquidos fervem; quer saber por que cada um deles tem um ponto de ebulição, fervendo sempre a uma determinada temperatura; procura descobrir por que esta temperatura muda quando o líquido contém em solução outras substâncias, ou quando a pressão do ambiente é modificada.

A maior parte das leis da Física tem muito a ver com nossa vida cotidiana: quase todas as coisas que fazemos dependem delas. Por que razão as coisas se movem? Para responder a esta pergunta, você se lembrará logo da palavra FORÇA e a ela associará o conceito de MOVIMENTO. Está certo, porque é a força que constitui a razão da mudança de velocidade dos seres.

O atrito e a resistência do ar podem ser úteis ou prejudiciais? Depende da situação. Ambos atuam na oposição ao movimento do veículo.

Se você costuma andar de bicicleta, conhece, por experiência própria, a resistência do ar. É como se fosse um corpo concreto que se opõe ao seu avanço, torna-se um obstáculo; e quanto maior a velocidade, mais essa resistência se fará sentir.

Será a resistência do ar um inconveniente? Não, pois graças a ela, as gotas de chuva, por exemplo, chegam ao solo com velocidades moderadas; se, durante a queda, essas gotas não fossem freadas pela resistência do ar, cairiam ao solo com uma velocidade tal que poderiam perfurar uma chapa de aço de 1mm de espessura.

Em relação ao atrito, ele pode ser prejudicial para as máquinas, pois representa um obstáculo à sua marcha e absorve, assim, grande parte da potência desenvolvida. Por isso, os serviços de manutenção recomendam a aplicação de lubrificantes nas peças que diminuem a fricção.

Mas, ao lado de tais inconvenientes, o atrito é imprescindível à nossa vida. Sem ele, não poderíamos dar um passo, nem mesmo realizar o menor movimento. Faltando o atrito entre os pés e o chão, logo cairíamos (como escorregamos numa poça de óleo cuja viscosidade elimina o atrito); os veículos não poderiam mover-se, pois as rodas girariam em falso, sem estabilidade, e também os freios não funcionariam.

Portanto, a Física trata do conjunto dos fenômenos naturais, mesmo daqueles em que a matéria sofre modificações. Compreende a Mecânica (estudo dos movimentos dos corpos e das forças que os provocam), a Acústica (fenômenos do som), a Óptica (fenômenos da luz), a Termodinâmica (fenômeno do calor), o Eletromagnetismo (fenômenos elétricos e magnéticos) e a Hidrostática (estudo do comportamento dos fluidos).

Para finalizar, caso algum aluno perguntar para que serve o ensino de Física na escola, simplesmente responda que a disciplina faz parte do currículo pedagógico da educação brasileira e ele, o aluno, gostando ou não, terá que aprender, pois é indicador de aprovação e possui conteúdos que servem de ferramentas para avaliação em vestibulares.

7 comentários:

Mayara Cristina disse...

Boa tarde prof Marcos.
Adorei essa publicação, vai me ajudar muito no meu primeiro dia de aula e seu blog é ótimo!
Sou professora, estudante de ciências biológicas, comecei a dar aula esse ano e peguei 4 aulas de ciências para a 6 Serie A, mas o diretor da escola pediu para eu pegar as aulas de física, não tem professor para dar e eu ainda estou confusa, pois tenho dificuldades em cálculos, matemática etc.
Gostaria da sua opinião a respeito, se é muito difícil de dar aula desta matéria e quais dicas você pode me dar? As turmas são de 1º Ano, 2º e 3º

Marcos Vinicius M. Cavalcante disse...

Olá, Mayara, tudo bem?

Fico feliz pela sua visita e comentário. Espero que essa minha dica tenha lhe ajudado. Você já aplicou na sua aula? Quando tenho dicas novas, eu acesso aqui e divulgo. Estou terminando um projeto que darei na escola onde trabalho e ao mesmo tempo elaborando as metodologias para serem publicadas aqui.

Você me disse que possui dificuldade em cálculos matemáticos. Na verdade, não se trata de ser fácil ou não, sabe. Se a gente sempre se aperfeiçoar, estando frequentemente em contato com os assuntos que serão trabalhados, com muito treinamento, a dificuldade que você sente aparentemente irá se dissolver e você terá controle diante das suas turmas.

Diga-me especificamente quais as suas dúvidas que irei ver como posso ajudar, ok? Aguardo seu retorno.

Um abraço!

Max disse...

Professor Marcos estou cursando licenciatura em matemática, estou no segundo período, chamaram-me para substituis algumas pois estou despreparado, o que faço sei da matéria mas to com medo de falhar em algum momento. o que faço.

Marcos Vinicius M. Cavalcante disse...

Olá, Max, tudo bem?

Demorei a voltar ao Espado Docente Aprendiz devido a compromissos em relação ao mestrado. No seu curso de Matemática você deve estar tendo aulas de Física e me passou a impressão de que você está com pouca base, é isso, né? Pois bem, quero que saiba que muitos estudantes, ao entrarem na vida universitária, carregam falhas de aprendizagem oriundas do ensino médio, e isso é, muitas vezes, culpa do próprio sistema de preparação vindo de professores desatualizados de escolas de ensino fundamental e médio.

Se você está inseguro, fique tranquilo. É muito natural, pois também passei por essa fase. Eu tinha um enorme defeito na dicção e, através de muita prática, e ainda suportando piadas de alunos que notam a insegurança do professor, consegui me ajustar tanto em postura quanto ao enriquecimento de conteúdos. Portanto, tudo isso é uma questão de tempo. A dica fundamental é ler muito, pois somente assim os conteúdos estarão fixos em sua mente. Não há fórmula que ensine como se posicionar de forma segura em sala de aula. Nem mesmo os cursos de pós-graduação ensinam essas estratégias. Existem muitos profissionais com mestrado e doutorado atuando há mais de 10 anos em atividade regente e nunca souberam o que é ter dicção, pois o que mais importa pra eles é o certificado pendurado na parede, rs.

Siga essas sugestões. É o que posso lhe passar, ok?

Unknown disse...

Boa tarde, professor Marcos. A respeito desse projeto de física que você citou acima, teria como compartilhar aqui no espaço. Estou com um desafio muito grande esse ano que é trabalhar com o ensino integral, sendo que minhas aulas serão no turno vespertino e os alunos após o almoço já se encontram cansados e desmotivados..terei que reiventar minhas aulas. Conto com sua ajuda.Estou com as turmas de 1°, 2° e 3° ano. Abraço!

Unknown disse...

Professor Marcos, bom dia!

Estou terminando o curso de engenharia elétrica, queria muito ministrar aula de física ou matemática qual o processo para alcançar meu ibhetobj?

Unknown disse...

* alcançar meu objetivo...

Postar um comentário

Para o espaço estar a todo vapor, vai depender da participação de cada professor, através de debates, para saber se o nosso trabalho está sendo de grande utilidade. Lembre-se, Mestre: O blog é seu também.

 
Espaço Docente Aprendiz | by TNB ©2010